De todas as viagens que fizemos,
o roteiro da Ásia foi o mais especial. Era a primeira vez
de fato que entrávamos em contato com uma cultura tão
diferente da ocidental. Até mesmo na Oceania não
encontramos muitas diferenças culturais. E aqui, vale deixar
o registro de um conselho indispensável: se você
viajar para estas bandas, procure conhecer um pouco sobre os costumes
e as tradições de cada povo asiático. Isso
certamente evitará que você “pague alguns micos”,
como nós.
Nosso roteiro incluía o
Japão (Quioto e Tóquio), a Tailândia (Bangkok)
e a China (Hong Kong e Macau). Também tínhamos interesse
em visitar Pequim, mas por questões de conexões
não foi viável.
Nossa viagem começou pelo
Japão. Cumprimos vários trechos para chegar até
lá: São Paulo-Miami, Miami-Los Angeles, Los Angeles-Osaka.
Neste último, recebemos um upgrade para a primeira classe.
Foi um sonho, nunca tínhamos viajado nessa categoria.
Chegamos em Osaka, literalmente
do outro lado do mundo, com uma diferença de 12 horas de
fuso horário. Não sentimos nenhum efeito da tão
falada diferença de fuso. Talvez devido à excitação
e pelo fato de que iríamos estar a maior parte do tempo
sem guia. Éramos dois gaijin (estrangeiro em japonês),
sozinhos na Terra do Sol Nascente.
No aeroporto, fomos recepcionados
por uma guia que falava inglês e que nos levou de carro
para Quioto, o nosso primeiro destino. Poupada dos bombardeios
da Segunda Guerra Mundial, Quioto foi a capital do Japão
entre os anos 794 a 1.868 e a residência do imperador, mesmo
após ele deixar o poder.
A cidade possui mais de 1.500 templos
Zen (budistas) e mais de 400 Xintoístas. Elas são
as duas principais religiões no Japão. O Xintoísmo
é uma religião anterior ao budismo, datada no século
7 a.C. Ela prega a veneração dos espíritos
da natureza e dos antepassados, os quais são chamados de
“Kami” e que vivem espiritualmente em locais como
nascentes, riachos, montes etc. Estes locais, conhecidos como
“Torii” (portais), indicam o início do terreno
sagrado. Já o budismo (Zen) veio da China e valoriza a
paz espiritual por meio da meditação, o que leva
ao desenvolvimento da personalidade mediante o conhecimento próprio.
Durante um dia, tivemos um importante
contato com a cultura japonesa ao nos hospedarmos em um Ryokan
(pousada familiar). Fizemos todas as refeições tradicionais.
À noite, uma gueixa nos preparou uma autêntica cerimônia
do chá (Chanoyu) e nos serviu em uma pequena casa chamada
Chashitsu. A cerimônia do chá é geralmente
feita por homens ou monges. Trata-se de um ritual de confraternização
cujo objetivo é deixar todo o ser humano igual, pois ao
entrar no Chashitsu todos são obrigados a fazer, pelos
fundos, numa espécie de buraco, o que forçam as
pessoas a rastejarem.
A figura da gueixa surgiu no século
VII e significa pessoa requintada. Nesta época, eram os
homens que proporcionavam o divertimento por meio de lutas e malabarismo.
Mas, com o passar do tempo, os homens foram substituídos
pelas mulheres por causa das novas exigências dos Samurais:
sexo e diversão. As gueixas aprendem, ainda quando crianças,
o canto, a dança e o preparo da cerimônia do chá.
Elas se vestem de uma forma bem peculiar, usam quimonos coloridos
e maquiagem de pó de arroz, o que parece uma máscara.
À noite, fomos ao teatro
assistir vários entretenimentos de arte japonesa, entre
eles o Bunraku (peça teatral narrada e personificada por
bonecos que se expressam e são manipulados por pessoas),
o Ikebana (cerimônia de preparação de arranjos
de flores), o Hogaku (apresentação da música
tradicional japonesa) e o famoso Kabuki (teatro de drama japonês).
No dia seguinte, fomos conhecer
o Nijo Castle, construído em 1603 para ser a residência
do Shogun Ieyasu Tokugawa. O Shogun (senhor da guerra) era uma
espécie de governador de regiões, conquistadas normalmente
após sangrentas batalhas. Às vezes, ele tinha mais
poder que o imperador. Só para lembrar: o livro Xógum,
de James Clavell, conta a estória real de um capitão
holandês, chamado Will Adams, que desembarcou no Japão,
em 1600, e foi obrigado a construir uma embarcação
para o Shogun Ieyasu. O livro chegou inclusive a ser adaptado
para uma minissérie de TV.
Depois, fomos conhecer alguns dos
milhares de templos de Quioto. Construído em 1397, o Kinkakuji
(pavilhão de ouro) é o cartão postal da cidade.
O local serviu de abrigo para um Shogun e virou templo após
a sua morte. Trata-se de uma réplica, pois o original sofreu
um incêndio em 1950.
A maioria dos passeios foi feita
de bicicleta. Consideramos um transporte ideal para o turista
, pois o metrô de Quioto não leva para muitas atrações.